Bonde Linha Bom Retiro 1900 Quem é de São Paulo ou de outra cidade, a qual houve Bondes transitando por entre as ruas da cidade, saberá dizer a emoção e a saudade que esse meio de transporte provoca nas pessoas.
Hoje em dia pode-se dizer que é um meio de transporte “Romântico”, não por ter transportado namorados, casais, crianças e sim por estar somente em: livros, Álbuns de Vistas de São Paulo, Histórias, etc.
“A Lei número 11 de nove de março de 1871 autoriza o Governo Provincial a conceder privilégios, pôr 50 anos, ao engenheiro Nicolas Rodrigues dos Santos Freitas Leite ou a quem melhores vantagens oferecer, por si só ou por meio de uma companhia, para estabelecer uma linha de diligências tiradas por animais, sobre trilhos de ferro, que partindo do centro da cidade se dirigisse às estações do caminho de ferro e aos subúrbios.”
Então em 12 de abril daquele ano foi assinado o contrato com o engenheiro Nicolas, pela Companhia Carris de Ferro de São Paulo para uma linha entre o Largo do Carmo e a estação da São Paulo Railway ou estação da Luz.
Em 12 de outubro de 1872 começa a funcionar a primeira linha de bonde de tração animal, um ano depois são adquiridos mais 16 bondes para ampliar o sistema, pois a cidade de São Paulo já contava com 31 mil habitantes e a nona capital brasileira em número de habitantes.
Com o crescimento da população e a melhora da tecnologia, no dia 18 de janeiro de 1885 é inaugurado o primeiro trecho da linha de bonde a vapor da mesma Companhia, entre São Joaquim e Vila Mariana e depois foi ampliado de São Joaquim até a Vila de Santo Amaro com viagem realizada em 1h e 20 minutos.
Em 1900, por leilão a companhia é incorporada a “The São Paulo Tramway Ligth and Power Com.”
Os Bondes de tração animal chegam à Avenida Paulista em 1891 e ai são unificadas todas as companhias de bonde das linhas centrais, surge então a Cia Viação Paulista.
Aí, em 1900 começa a decadência dos bondes com tração animal e a vapor. Começa então no dia 7 de maio de 1900, inauguração da primeira linha de bonde elétrico, da Cia Ligth and Power, ligando o Largo São Bento à Alameda Barão de Limeira na Barra Funda, passando pelo bairro de Campos Elíseos, isso quando a cidade contava com 240 mil habitantes. Esses novos bondes elétricos (em total de 15 unidades) tinham 9,43 metros de comprimento, 2,40 metros de largura e capacidade para 45 passageiros sentados.
Já no dia 13 daquele mesmo mês e ano, começa a segunda linha de bonde elétrico, ligando o Largo São Bento ao Bom Retiro e em 10 e 10 minutos. E o curioso é que a Ligth, dias depois, solicita à prefeitura autorização para reservar os três primeiros assentos para passageiros não fumantes.
A cidade de São Paulo foi a quarta cidade do país a ter bonde elétrico, atrás do Rio de Janeiro (1892), São Salvador (1897) e Manaus (1899).
Depois de alguns meses de funcionamento, no dia 31 de dezembro com a inauguração do bonde elétrico para o bairro do Brás a cidade possuía 24 km de trilhos e 25 bondes elétricos
Em maio de 1907, circula o último bonde de tração animal da Empresa de Bondes de Sant’Ana, depois de uma revolta popular, devido ao mal serviço prestado, que ligava Ponte Pequena ao Alto de Sant’Ana e o patrimônio da empresa é passado para Ligth como também anos antes os patrimônios da Companhia Paulista também foram passados para a Ligth.
O Bonde elétrico foi versátil teve até bonde elétrico para casamentos e batizados.E o sistema conta com 197 bondes de passageiros, 34 de cargas e 9  para malas do correio, isso em 1910.
Inaugurada a linha, que mais tarde seria a última, Praça da Sé a Santo Amaro,  isso em 1913, como itinerário passava: vila Mariana, Rua Domingos de Moraes,  onde entra na Rua Jabaquara, fazendo uma curva em “S”, seguindo em linha reta  de 9 km pela várzea até a entrada de Santo Amaro. O percurso levava 45 minutos.
Depois de um longo período de seca, que prejudicou a geração de energia nas usinas hidrelétricas, impedindo a circulação dos bondes elétricos, deu-se o início da operação das primeiras linhas de ônibus, isso em 1924 com uma população  de 700 mil habitantes. Mas isso é uma outra história, vamos aos Bondes.
Em 1927, 5 de maio, começou a operar o bonde fechado “Camarão”, com 12,49 metros de comprimento, 2,5 metros de largura e capacidade para 51 passageiros sentados. Esses modelos de bonde chegaram ao total de 129 unidades e operaram  até março de 1968, quando o sistema foi extinto.
No ano de 1948 o sistema contava com 438 bondes. Vinte anos depois no dia 28 de março, foi extinta definitivamente os serviços de bondes, após a última viagem da  linha 101 – Santo Amaro. Na cerimônia de despedida, com a participação do prefeito Faria Lima e do governador Abreu Sodré, o comboio de doze bondes, todos lotados deixaram o Instituto Biológico, na Vila Mariana, até o Largo Treze em Santo Amaro.
Esse foi a trajetória de um dos meios de transporte mais “Românticos”, pois é mais íntimo, andava pertinho das casas em velocidade baixa dentro da cidade, você cumprimentava algum conhecido, fazia curva de 90 graus, subia e descia ladeiras, parava na esquina de casa, em frente ao colégio. O bonde poderia voltar no centro, onde não passa ônibus e carros, seria uma vitória para o Bonde que nos deu muitas alegrias.

Fonte:  estações ferroviárias.com.br e br.geocites.com – Fotos PRODAM – Muitas Fotos Foram tiradas pelo Célebre Fotógrafo Militão.