São Paulo Antigo e Seus Hotéis

Hotel Itália Brasil SP 1887Os Hotéis na cidade de São Paulo antigo no fim do século XIX não eram construções exuberantes e também não foram um grande número de construções. No entanto, as poucas construções podem ser considerados importantes para entender a evolução histórica, econômica e social da cidade de São Paulo no decorrer dos anos.

Como em toda sociedade os hotéis estão ligados ao crescimento socio-econômico e o desenvolvimento urbano de um lugar, então os hotéis se instalaram justamente nos principais pontos da cidade e esse desenvolvimento ocorreu principalmente no final do século XIX e início do século XX até os meados do mesmo século.
E nesse período a cidade teve vários pontos de desenvolvimento hoteleiro na região Central.

As regiões entre o Triângulo Central que cujos vértices ficam os Conventos de São Francisco, de São Bento e do Carmo e o Centro Novo serão interessantes para compreender esse desenvolvimento.

Com a virada do século o grande marco para o crescimento e industrialização da cidade está enfocado na figura do Imigrante. A partir de 1870 o movimento de chegada de imigrantes aumentou muito, atingindo a marca de 2.740.000 estrangeiros, isso em 1914, em grande parte : italianos,espanhóis e alemães. E muitos deles eram refugiados da primeira Guerra Mundial, ajudando assim, a urbanização da Cidade de São Paulo e a entrada de novas ideias artísticas , arquitetônicas e culturais, enfim,  uma nova educação que mudava a cultura da região.
Atraídos pelo repentino desenvolvimento, São Paulo tornou-se um pólo de grande número desses imigrantes atraídos pelas inúmera oportunidades que surgiram. Com isso, a cidade de São Paulo respondeu de forma imediata a essa situação com a expansão urbana através de diversos bairros e alguns identificados pelas comunidades neles predominantes.

Com a República a cidade ampliou sua área urbanizada e ampliou sua área central incorporando diversos edifícios públicos monumentais e o retalhamento das chácaras em seu entorno para implantação de loteamentos. A economia vinculada ao capital do café fez com que avanços tecnológicos e um capital jamais vistos. Surgiram vários bancos fazendo que a cidade perdesse os ares de provinciana, então a nova sociedade exigiu novos padrões de vida e de instalações.

A história de São Paulo foi diferente, por exemplo, do Rio de Janeiro que teve um aumento do fluxo de estrangeiros no início do século XIX com a chegada da Família Real e consequentemente no surgimento de hotéis e hospedagens. Essa demanda na cidade de São Paulo só teve crescimento substancial a partir dos meados do século XIX, com a instalação da Academia de Direito do Largo de São Francisco em 1827.
O historiador Antônio Rodrigues Porto, “a instalação da Academia de Direito foi o acontecimento mais importante para a vida da cidade de São Paulo em toda primeira metade do século XIX. A presença desse estabelecimento de ensino superior deu-lhe mais vigor e entusiasmo. A

Academia de Direito arrancou São Paulo do seu sono colonial e criou condições para alterar seus costumes tradicionais”.
Com o crescimento da cidade de São Paulo, dentro do contexto do século XIX, surgiu uma nova fase de construções hoteleiras e hospedagens e muitos ficaram na história.  Em sua formação inicial de urbanização, o Triângulo Central, teve os principais hotéis próximos à Faculdade de       Direito e às Estações Ferroviárias da Cidade, sendo um dos destaques desse período o Grande Hotel, construído por encomenda do alemão Frederico Glete, na Rua São Bento com o Beco da Lapa, hoje Rua Miguel Couto. Inaugurado em 1878, projetado por Von Puttkamer, era um edifício de três andares e que recebeu hospedes famosos como o príncipe Henrique da        Prússia(1885) e a artista Sarah Bernhardt (1886). E Foi demolido em 1964 para da lugar a um edifício comercial.

O conjunto hoteleiro da Rua Mauá, antiga Rua da Estação, vizinhos das estações Sorocabana e Luz. Este hotéis são testemunho de uma atividade que foi bastante comum em sua época quando era uma área  de maior comércio de São Paulo, pois ainda é relevante o comércio nesta área nos dias de hoje. E seus hóspedes, segundo dados do DPH, eram “oriundos de     cidades do interior do estado que ali chegavam através da Ferrovia para fazer compras ou simplesmente olhar as vitrines, instalando-se nestes hotéis pela comodidade e conforto”.

Os mais importantes, o Hotel do Comércio e o Hotel Federal Paulista, construídos em alvenaria de tijolos, são prédios de três pavimentos, em funcionamento até nos dias de hoje, porém, em situações precárias. Outros dois hotéis merecem ser lembrados os da Avenida Gasper Libero, como: Hotel Queluz e o Karin.

Nos anos 20 e 30, com as exportações em alta do café,  levaram à capitalização de recursos para a formação das primeiras indústrias de São Paulo, favorecidas pela mão de obra farta.

Implantadas ao longo dos terrenos das várzeas dos rios, por onde passavam as ferrovias, as fábricas criaram um novo perfil urbano e econômico e cultural da cidade, ampliando ainda mais seu crescimento. E com a crise do café nos anos 30 e a quebra da bolsa de Nova York acelerou e consolidou o processo de industrialização na economia paulista.

O centro Histórico ficou inviável para novos projetos e a malhar urbana se espalhou entre a região da Avenida Ipiranga, Avenida São Luiz e Avenida Paulista. O crescimento de espaços públicos como praças, teatros e cinemas e o aumento da vida noturna com a melhoria da iluminação pública, modificaram os modos e costumes da sociedade paulistana.

Em 1930 São Paulo possuía cerca de 900.000 habitantes. Neste contexto, mudaram o perfil construtivo e arquitetônico. Surgiram os hotéis luxuosos, destinados aos grandes barões do café e os emergentes industriais e a invenção do elevador fez com que a altura dos edifícios ficassem mais altos. São exemplos dessa época, nos anos 20 a inauguração do Hotel Terminus, com mais de 200 quartos, localizado na Avenida Prestes Maia, onde hoje é o Edifício da Receita Federal, e do moderno Hotel Esplanada, atual sede do Grupo Votorantim com 250 quartos, um ponto de encontro da elite paulistana sendo ao lado do teatro municipal.

O Hotel Central, prédio histórico de autoria de Ramos de Azevedo, que era considerado um dos arquitetos mais importantes de São Paulo no início do século XX, “A década de 20 foi um período de grande efervescência intelectual na cidade. Iniciava-se a era da modernidade e os homens públicos procuravam também avançar na maneira de enfrentar a cidade que já despontava como metrópole”, diz  Marta Dora Grostein.
Após algumas mudanças de lei dos anos 30 e 40, que estabelece o alargamento de importantes avenidas na cidade, novo pólo surgi no setor hoteleiro, um exemplo  é o Hotel Excelsior, 1941-1943, projetado por Rino Levi, destaque na avenida Ipiranga como também dessa época o Hotel Terminus.

Um ponto importante lembrar foi, na década de 40 o desenvolvimento dos grandes hotéis. Com a legalidade do jogos de azar foram construídos vários hotéis – cassino, como: Parque Balneário em Santos, Grande Hotel de Poços de Caldas, Grande Hotel de Araxá, São Pedro. Com a proibição dos jogos de azar imposto por Getúlio Vargas em 1946, muitos fechou ou tiveram que se reestruturar.

Com certeza os hotéis e hospedagens antigos como: o Hotel Itália e Brasil, na ladeira do Açu, hoje início da Avenida São João em 1887 e Hotel D’Oeste, no Largo São Bento, esquina com a Rua Boa Vista em 1900,  são ums exemplos de hotéis simples e importantes para a história de uma cidade que se desenvolveu lentamente até o século XIX, porém no XX,  mostrou a potencialidade do povo que vivia aqui ou que vivem aqui e os imigrantes que tanto valorizou a nova terra.

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